top of page

Pedagogia Freireana como Objeto de Estudo

20 de nov. de 2017
14 min de leitura



Este trabalho tem por objetivo relacionar os pensamentos do Educador Paulo Freire com trabalhos apresentados atualmente sobre assuntos que envolvem a qualidade do ensino nas escolas, remetendo a metodologias e posturas que um educador deve ter para se efetivar como um educador e assim poder contribuir para o conhecimento dos seus alunos.

Portanto, busca-se com esse trabalho verificar o que alguns pesquisadores da atualidade têm trabalhado com as temáticas: Interdisciplinaridade; Mediação Pedagógica; Educação Para os Direitos Humanos; Relações Pedagógicas; Indisciplina na Sala de Aula. Onde, será feito uma análise de alguns artigos atuais sobre esses temas, buscando relacionar as ideias de Paulo Freire.

Inicialmente, será apresentado os temas descritos anteriormente contrapondo as ideias de Paulo Freire ao explorar os conceitos abordados por alguns autores, buscando relacionar as categorias Freireanas como, por exemplo, a curiosidade epistemológica e a dialogicidade.

CONCEITOS ESCOLARES A LUZ DE PAULO FREIRE

Interdisciplinaridade

A escola não tem a finalidade de passar conhecimento, pois conhecimento não se passa, ela é um local onde há uma aprendizagem uma construção do saber, do conhecer e para que ela seja um instrumento do ensinar primeiro deverá acompanhar as transformações exigidas pela interdisciplinaridade que está diretamente ligada ao conceito epistemológico e ao pedagógico.

A escola tem por obrigação acompanhar as mudanças em todos os segmentos da sociedade, o avanço da tecnologia possibilita o acesso ao conhecimento cada vez mais rápido. Não é difícil encontrar em nossas instituições de ensino um modelo educacional totalmente tecnicista onde o professor tem por objetivo apenas tentar transmitir algo aos seus alunos seguindo um currículo escolar proposto pela escola e que certamente vem sendo rigorosamente seguido ano após ano como se o mundo tivesse parado no tempo, onde em nenhum momento o docente se preocupar sequer em saber qual a opinião dos seus alunos sobre temas que estão fora dos muros da escola.

Para Paulo Freire é indispensável que a educação tenha como prioridade possibilitar ao educando o desenvolvimento intelectual e a capacidade de identificar e de superar obstáculos que são definidos como situações-limite ou freios.

[...] situações-limite, que se apresentam aos homens como se fossem determinantes históricas, esmagadoras, em face das quais não lhes cabe outra alternativa se não adaptar-se. Desta forma, os homens não chegam a transcender as situações-limite e a descobrir ou a divisar, mais além delas e em relação com elas, o inédito viável. (FREIRE, 1987, p. 94).

A educação fragmentada que nossos jovens têm hoje não possibilitara a eles a capacidade de conhecer a realidade do mundo que vivemos impedindo-os de superar situações-limite. É necessário que nossas instituições de ensino coloquem em prática uma educação não fragmentada onde o diálogo aluno professor será o ponto inicial desta mudança, principalmente para que o educador possa conhecer melhor as ideias, opiniões e dificuldades dos educandos podendo assim preparar aulas interdisciplinares que possam facilitar o entendimento entre teoria e prática, o que possibilitará ao aluno a formação de ideias criativas e opiniões mais críticas e responsáveis.

Maria Cândida Moraes (2002), na obra O paradigma educacional emergente, ressalta que, se a realidade é complexa, ela requer um pensamento abrangente, multidimensional, capaz de compreender a complexidade do real e construir um conhecimento que leve em consideração essa mesma amplitude.



O professor é que tem a missão de ensinar, para isso ele deve sempre estar com o conhecimento em constante evolução, conforme diz Freire em “Dizem que eu sou pesquisador, dizem que eu sou educador, dizem que eu sou filósofo, que eu sou isso, sou aquilo. No fundo, eu sou um pouco essas coisas todas” (FREIRE, 1995a, p. 20).

Adiante, segue algumas definições sobre interdisciplinaridade segundo alguns autores, bem como a definição de Freire.


Paulo Freire (1987), a interdisciplinaridade é o processo metodológico de construção do conhecimento pelo sujeito com base em sua relação com o contexto, com a realidade, com sua cultura. Ivani Fazenda (1979, p. 48-49), a introdução da interdisciplinaridade implica simultaneamente uma transformação profunda da pedagogia, um novo tipo de formação de professores e um novo jeito de ensinar. Gadotti (2004), a interdisciplinaridade visa garantir a construção de um conhecimento globalizante, rompendo com as fronteiras das disciplinas.

Pedro Demo (2001) também nos ajuda a pensar sobre a importância da interdisciplinaridade no processo de ensino e aprendizagem quando propõe que a pesquisa seja um princípio educativo e científico.

Mediação Pedagógica


Atualmente, muito tem-se discutido a respeito da relação estabelecida entre o professor e seus aluno dentro e fora da sala de aula, mas a discussão desse tema, quando se fala da qualidade de ensino, não é exclusividade de nossa época. Pois pensadores de renome internacional, já discutiam sobre essa questão em décadas passadas como, por exemplo, o educador pernambucano Paulo Freire (1921-1997), que defendia a postura de um professor que tem a função de estabelecer relações dialógicas de ensino e aprendizagem em sala de aula, de modo que esse professor seja capaz de aprender junto com o aluno, na medida em que busca ensiná-lo algo.

Desse modo, Paulo Freire defende a construção conjunta do conhecimento, onde o papel do professor não se restringe ao simples método de depositar o conhecimento no aluno, mas sim de fornecer meios para que o educando consegue construir seus conhecimentos juntamente com seu educador.

Assim, novas pesquisas referente a esse tema, sempre retomam ideias que já foram propostas e estudadas anteriormente, como é o caso do trabalho intitulado A PRÁTICA DOCENTE EM SALA DE AULA: MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA, por Rosani Casanova Junckes (2013), que comenta sobre as condições necessárias para o aluno aprender ressaltando que,



Para que isso aconteça é fundamental e primordial a presença da mediação do professor pois faz com que o aluno se sinta estimulado e busque a querer e entender cada vez mais que é importante no processo de aprendizagem, sentido necessidade de buscar e querer cada vez mais aprender a aprender (JUNCKES, 2013).



No trabalho de JUNCKES, fica ainda mais evidente a relação de seus pensamentos com as ideias de Paulo Freire, quando ela ressalta a necessidade de um professor criativo dentro da sala de aula, pois segundo ela no momento do educador elaborar seus planos de aula de modo a permitir que seus alunos possam interagir com entusiasmo, o professor deve sempre buscar se inovar para atingir esse objetivo, se apoiando sempre na sua curiosidade.

Curiosidade essa que é destacada por FREIRE, em sua obra intitulada Pedagogia da Autonomia Saberes Necessários à Prática Educativa, a qual relata a importância da curiosidade dos indivíduos partícipes do processo de ensino-aprendizagem, onde a curiosidade do professor e



Como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino. Exercer a minha curiosidade de forma correta é um direito que tenho como gente e a que corresponde o dever de lutar por ele, o direito à curiosidade. Com a curiosidade domesticada posso alcançar a memorização mecânica do perfil deste ou daquele objeto, mas não o aprendizado real ou o conhecimento cabal do objeto (FREIRE, 1996, p. 52).


Dessa forma, percebe-se que muito do que tem-se falado a respeito da importância de um professor mediador dentro da sala de aula, já foi objeto de discussão de Paulo Freire, onde ele mostrou que o educador tem a função de instigar o estudante para que esse tenha vontade de aprender, e o conhecimento só será adquirido pelo aluno, quando este for capaz de compreender a importância que o processo de aprendizagem tem em sua vida.




Educação Para os Direitos Humanos


Os direitos humanos se interpõe em direitos civis, que assegura a liberdade individual e o direito a justiça, políticos onde todos devem ter acesso a participação do exercício político e os sociais com a garantia da participação da herança social e econômica. De uma forma mais contextualizada a declaração universal dos direitos humanos, criada no período da segunda guerra mundial, defende o direito à vida, à liberdade de expressão, o direito ao trabalho (conforme a faixa etária adequada) e principalmente a educação sem nenhuma forma de discriminação.

E para que eles sejam colocados em prática, é necessário que se tenha um estado democrático pela qual todos os cidadãos são de forma igualitária livres em suas decisões, atitudes e opiniões sobre um determinado assunto, sendo de grande relevância a educação para que além de saber escrever e ler o sujeito tenha conhecimento para obter uma boa argumentação.

Para assegurar a educação a todos os cidadãos, necessariamente é preciso criar meios de acesso, permanência, oferecer qualidade no ensino, além de estruturas físicas adequadas e condições dignas de trabalho aos educadores.

Porém este assunto em sua grande maioria, não é nem ao menos discutido nas instituições de ensino assim como também acontece na sociedade, fazendo com que também não seja praticado por muitos docentes .

Paulo Freire em suas práticas e ensinamentos pedagógicos, fundamenta a educação com princípios dos direitos humanos, estabelecendo o diálogo, a democracia, buscando saber a história de seus discentes e respeitando o saberes a eles já condicionados.

O grande pedagogo instigar a criticidade no processo de ensino- aprendizagem e afirma que o professor não é o detentor de todo o saber, ele ensina tão quão aprende com seus alunos, exigindo que sejam reflexivos e sobretudo éticos, estabelecendo uma relação de horizontalidade dentro da sala de aula. Também defende que os docentes reflitam sobre sua docência a todo instante, buscando o aperfeiçoamento da prática, sendo críticos e não passivos de qualquer forma discriminatória.

Ele ressalta a importância de conceber a educação como uma forma de intervenção desde uma pequena realidade a até mesmo a realidade do mundo, onde o mediador utiliza-se da liberdade e da autoridade consciente.

A grande contribuição dessas metodologias é a formação de sujeitos críticos, ativos em suas aprendizagens, transformadores, reflexivos e políticos, fazendo com que se desenvolvam no âmbito social, ético e político ,conforme os direitos humanos defende. Portanto percebe-se claramente que a relação entre o plano nacional de educação em direitos humanos (PNEDH) é bem próxima as ideias de Paulo Freire.

No artigo EDUCAÇÃO E DIREITOS HUMANOS: DESAFIOS PARA A ESCOLA CONTEMPORÂNEA, Angela Viana e Melina Casari, ressaltam a importância da conceituação de direitos humanísticos para um ser reconhecer o outro, respeitando os valores e culturas de cada um. Sendo um dado levantado por elas que o acesso a acesso a educação e permanência não atingiu sua totalidade, ainda existem regiões onde muitos adolescentes não são nem alfabetizados.

Para Bobbio

(1986,p.18) a democracia pode ser entendida como um regime político, causando distorções e não sendo bem aceito pela sociedade e até mesmo por profissionais da educação, fazendo com que o assunto não seja discutido em diversos ambientes causando um regresso nos processos de argumentações.

Refletir sobre o que afirma os direitos humanos e relacionar com nossa realidade é uma atividade contraditória, fala-se em igualdade mas a realidade brasileira é a desigualdade na sociedade, possibilita-se as diferenças sociais, não há respeito perante as leis estabelecidas e elas acabam sendo abstratas.

A formação docente com enfoque nos direitos humanos é muito recente, evita-se contextualizar o assunto, pouco se discute pois falta conhecimento e o saber ouvir e respeitar o próximo dentro do ensino. Candau (2008, p.83) afirma que para que se haja, a formação de professores em direitos humanos é necessário que eles sejam percebidos como profissionais mobilizadores e transformadores. É preciso refletir sobre as práticas docentes, envolver a comunidade e a família nas questões políticas ,precisamos ser seres ativos na política conforme Paulo Freire diz em sua obra Pedagogia da autonomia.



Relações Pedagógicas


Paulo Freire apresenta a educação como forma de construir a autonomia do aluno, valorizando sua cultura e individualidade. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola, visto ser ele um sujeito social e histórico, e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas". Define essa postura como ética e defende a ideia de que o educador deve buscar essa ética, a qual chama de "ética universal do ser humano", essencial para o trabalho docente. E por meio dessa ética e das relações pedagógicas é possível formar um indivíduo social e crítico.

"Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos (...) É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar."

Como norte de sua prática pedagógica, Freire defende que "formar" é muito mais que formar o ser humano em suas habilidades intelectuais, atentando para a necessidade de formação ética dos educadores, conscientizando-os sobre a importância de estimular o aluno a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido.

Enfatiza a importância de alguns aspectos, dos quais a sociedade atual carece como: simplicidade, humanismo, bom senso (ética em geral) e esperança, levando em consideração que na visão do educador o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva, através, principalmente, dos veículos de comunicação de massa. O fracasso educacional ocorre em função das técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno. Isso, aos olhos do autor, acaba tornando-se um ciclo interminável. Pois, a escola, é considerada um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado.

Mostra também um modelo de professor humanizado, que atua como norteador do processo socioeducativo, formando uma consciência crítica com relação à manipulação política que fazem com todas as camadas sociais, mas sobretudo com as de classe baixa.

Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa, sem a qual a teoria pode se tornar um discurso cansativo e a prática uma reprodução sem questionamento por parte dos alunos. Defende ainda que a teoria deve se adequar ao cotidiano do professor, que passa a ser um modelo influenciador, frisando que na real formação docente devem estar presentes a prática da criticidade em conjunto da valorização das emoções.

O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo, no qual faz parte a "disponibilidade ao risco, a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho", estando presente a repulsa a qualquer tipo de discriminação.

Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos, em suas socializações com os outros e com o professor, de testar a experiência de assumir-se como um ser histórico e social, que pensa, que critica, que opina, que tem sonhos, se comunica e que dá sugestões. Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade, que não é neutra e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la.

Freire ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercutir na vida de um aluno (afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto, encaixando aqui o critério do respeito aos saberes do aluno. A construção de um conhecimento em parceria com o aluno depende da relevância que o educador dá ao contexto social em que estiverem inseridos.

Paulo Freire reafirma a necessidade dos educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos alunos como parte de um processo em que professor e aluno não se reduzem à condição de objeto um do outro, porque ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Segundo o autor, essa linha de raciocínio dá-se pela existência da raça humana, que tem consciência de que é formada por seres inacabados. E esta consciência é que os instiga a pesquisar, perceber criticamente e modificar o que está condicionado, mas não determinado, passando então a serem sujeitos e não apenas objetos da sua história.

Todos devem ser respeitados em sua autonomia sendo, portanto a auto avaliação um excelente recurso para ser utilizado dentro da prática e das relações pedagógicas. Alunos e professores movem-se por estímulos que despertem a curiosidade. E em decorrência disso, desperta também a busca para chegar ao conhecimento.

Ensinar requer a plena convicção de que a transformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não como um determinismo moldado, pronto e inalterável. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância, sendo preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças.

O educador não deve barrar a curiosidade do aluno, pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação, intuição, senso investigativo, enfim, sua capacidade de ir além.

Freire defende a necessidade de conhecimento e afetividade (porém de uma formação científica séria, juntamente com o esclarecimento político do educador) por parte do educador para que este tenha liberdade, autoridade e competência no decorrer de sua prática docente, acreditando que a disciplina verdadeira não está no silêncio dos silenciados, mas no alvoroço dos inquietos, o que implicaria na autoridade verdadeiramente democrática.

O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade. Uma liberdade que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade em uma relação dialética, focada em experiências que estimulem a responsabilidade. O educador como um ser histórico, político, pensante, crítico e emotivo não pode apresentar postura neutra. Deve procurar afirmar a si mesmo e suas opiniões, indicando diferentes caminhos sem conclusões acabadas e prontas, para que o aluno construa assim a sua autonomia. O educador deve saber escutar, pois é somente escutando crítica e pacientemente que se é capaz de falar com as pessoas e consequentemente com os alunos.




Indisciplina na Sala de Aula


Segundo LIMA(2009) a manutenção da disciplina tem sido instrumento de autoritarismo na escola numa leitura linear, refreadores do desenvolvimento dos próprios seres humanos, caracteriza-se por ordem imposta, muitas vezes resultando em castigo e desumanização explícito ou velado. A instituição escolar que se conduz por essa leitura é marcada pelo autoritarismo, e nesse movimento entre manutenção da disciplina pela imposição, manutenção da disciplina pelo processo de humanização e não disciplina é que se situam a preocupação, as dúvidas e as incertezas dos professores e alunos nas escolas.

O ato de contenção do conflito gera, em si, o próprio conflito, ou seja, as tentativas de impor a ordem produzem o que ela deseja eliminar, a desordem. O desejo de satisfação das individualidades acaba se insurgindo contra as imposições totalitárias que buscam, muitas vezes, homogeneizar os comportamentos, desconsiderando, com isso, a imensa diversidade que permeia a existência humana (PEREIRA; BLUM, 2014).

Para Foucault (2007), o ser humano não se deixa manipular e moldar tão facilmente como deseja o disciplinamento; pelo contrário, ainda que de forma aparentemente silenciosa, procura sempre preservar sua heterogeneidade, resistindo ao constante apelo de assujeitamento dos movimentos de unificação e esquadrinhamento.

Segundo FREIRE (1996), o autoritarismo é a ruptura em favor da autoridade contra a liberdade e a licenciosidade, a ruptura em favor da liberdade contra a autoridade. Autoritarismo e licenciosidade são formas indisciplinadas de comportamento que negam o que venho chamando a vocação ontológica do ser humano.

Assim, a indisciplina pode ser definida por um comportamento desordenado, contraponto direto do modelo engendrado pelo poder disciplinar, mas esta não é a única forma de burlar a ação disciplinadora, soma-se à indisciplina uma série de mecanismos como: a “cola”, a simulação, o vandalismo, o arremedo, dentre outros atos de contestação (DAMETTO; ESQUINSANI, 2009).

Neste contexto, para FREIRE (1996) o grande problema que se coloca ao educador ou à educadora de opção democrática é como trabalhar no sentido de fazer possível que a necessidade do limite seja assumida eticamente pela liberdade. Quanto mais criticamente a liberdade assuma o limite necessário tanto mais autoridade tem ela, eticamente falando, para continuar lutando em seu nome.

FREIRE (1996), ainda sugere que o educador deve conhecer o dia a dia do aluno, porque é nessa realidade que o aluno desenvolve seus instintos e desabrocha a indisciplina. Ele ainda diz que “É vivendo com lucidez a tensa relação entre autoridade e liberdade que ambas descobrem não serem necessariamente antagônicas uma da outra” (FREIRE, 2000, p. 35).

Assim é importante nos vigiarmos enquanto professores, estarmos atentos a nossos atos, posturas, tratos, como sugere Paulo Freire. “O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca” (FREIRE, 96, p.73).




CONSIDERAÇÕES FINAIS



Para Paulo Freire a interdisciplinaridade tem que ser compreendida como um processo de reconstrução não só em sala de aula mais em todos os ambientes de ensino onde o professor precisa ter uma visão geral e opinião formada em diversos assuntos, para que isso não possa ele não pode aprofundar se somente em sua área de atuação mais deverá ter conhecimento também em diversas disciplinas e ciências, pois caberá a ele a função de obter uma relação mais profunda com seus educandos e isso só poderá ocorrer se ele criar métodos de ensino que possam ser ao mesmo tempo atraente e produtivo para os alunos, preparando-os para serem verdadeiros cidadãos.

Quanto a mediação pedagógica, fica evidente a sua importância na sala de aula para que ocorra a efetivação do aprendizado do aluno, onde compreender esse conceito sob o olhar de Freire, significa aceitar que o processo de ensino é por definição um processo democrático em que o educador deve ser capaz de desenvolver métodos que favoreçam a mediação de conceitos, em que o aluno será capaz de compreender determinado conteúdo e interligá-lo a outros assimilados anteriormente.

Dessa forma o educador consegue mediar o significado de um conceito contribuindo para conectar os saberes dos seus alunos, garantindo a amplitude do processo de aprendizado e o desenvolvimento da autonomia do educando, que consequentemente se tornará um cidadão crítico capaz de atuar na sociedade.

Os direitos humanos são essenciais no processo educacional, todos devem ter direito a uma educação de qualidade e poder se expressar, desde que não venha a desrespeitar próximo. Porém é uma tarefa árdua aos docentes trabalhar com os direitos humanos pois vivemos em uma sociedade repleta de desigualdades , encontrando- se um certo comodismo quanto a isso, onde não se luta para que os direitos humanos regidos pelas leis aconteçam como devem ocorrer, além da falta de preparação em se falar de assuntos polêmicos dentro de sala de aula, porque as pessoas não sabem como lidar com saber ouvir e ver outros pontos de vista diferentes. Diante destes fatos é extremamente importante que as escolas formem cidadãos conscientes, reflexivos e inovadores, que saibam lidar com vasta diversidade de acontecimentos e fatos que possam vir a se deparar sabendo dos direitos e deveres que cada um possui.



As relações pedagógicas devem ser compreendidas como poderosos instrumentos para a educação. O fluxo de ideias nas escolas é intenso. E cada uma delas deve ser respeitada de forma coerente pelo docente. Dessa forma as relações estabelecidas entre o educador e o educando são armas fortíssimas para a prática educativa

No contexto da indisciplina, a educação não deve ser de responsabilidade somente da escola, pois somos um reflexo das nossas vivências, estabelecidos de padrões, parâmetros que nos tornam vorazes diante da liberdade que permeia uma frágil linha entre o poder e a ética. Assim a indisciplina do aluno no ambiente escolar é uma reação ao que ele deseja se rebelar somado a vontade de desabrochar para a vida.








 
 
 

Comentários


RECENT POSTS

FEATURED POSTS

Verifique em breve
Assim que novos posts forem publicados, você poderá vê-los aqui.

FOLLOW US

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey Instagram Icon
  • Grey Google+ Icon
  • Grey Pinterest Icon

Quem somos:

Grupo formado por alunos de graduação da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), que buscam através dessa ferramenta compartilhar as práticas e os conhecimentos adquiridos na disciplina de Didática-2017B.

Redes Sociais

Inscreva-se

Você também pode receber nossas atualizações através do e-mail.

© 2017 by CsTE. Proudly created with Wix.com

bottom of page